Minha lista de presentes de Natal

Ah, o Natal… uma bela desculpa para gastar muito, comer muito e não trabalhar, uma grande celebração mundial! Ao invés de usar o espaço para fazer retrospectivas – há muitas por aí melhores do que qualquer uma que eu faça – vamos deixar nossa lista de presentes para 2011.

1. MAIS EXIBIÇÕES COM O GUGA E GRANDES NOMES DO TÊNIS
Vocês viram a festa com Guga e Agassi neste sábado? Foi sensacional, uma viagem no passado, uma oportunidade de reconhecer um dos nossos heróis, de vê-lo cantando todo feliz e de trazer gente de primeira para se exibir aqui.
Este ano já tivemos Marat Safin, Yevgeny Kafelnikov, além do Agassi. O Sampras também já veio. Que tal chamar alguém ainda em atividade? Um Federer ou Nadal, maybe… (tá, sonhei, mas quem sabe?)


2. MURRAY CAMPEÃO DO AUSTRALIAN OPEN (OU QUALQUER OUTRO SLAM)
É muito sofrimento. Acho que nem os outros tenistas aguentam mais aquela cara de vou-me-matar do nosso Brit Number One ao ser eliminado de mais um Major. Que ele consiga o feito já no primeiro do ano, numa superfície amigável e tire logo a pressão dos ombros. Federer e Nadal não fazem TAAANTA questão da Austrália (sabemos que as meninas dos olhos deles estão no meio do ano), e o Djokovic ainda está bêbado pela conquista da Davis. Logo, levante a taça Murray!


3. NADAL E FEDERER NA FINAL DE ROLAND GARROS E WIMBLEDON
Em 2008, Nadal surpreendeu e venceu Wimbledon. No ano passado, foi Federer que quebrou a escrita e levou Roland Garros pela única vez. Nesse ano, o espanhol foi vencedor novamente na grama, só que para cima de Berdych. Acho MUITO JUSTO que a gente veja um Fedal na final de RG novamente e na Inglaterra. Estamos órfãos. A última final de Slam entre os dois foi na Austrália em 2009. Ou seja, há um milênio. Não é, Minnie?


4. FEDERER JOGANDO MUITO NA COPA DAVIS
Vimos com o Djokovic que a Davis é especial porque traz um gosto de conquista diferente do que os tops experimentam no circuito. E para um cara como Federer, que já ganhou tudo e mais um pouco, ACHO BEM JUSTO que ele busque caminhos alternativos. Roger já deixou claro que a Olimpíada de Londres é seu maior objetivo. Porém, enquanto ela não chega, o que custa fazer um test-drive vestindo a camisa suíça na Copa Davis? A Suíça está na segunda divisão, ok, mas ele pode considerar.


5. TOP 5 IMUNE A LESÕES
Chatíssimas essas lesões, cruzes. Este ano, atacaram Nadal, Federer, Roddick, Davydenko, Del Potro, Tsonga. Monfils… ou seja, estragaram nossa vida. No feminino, já é um pouco diferente. Pode deixar a Serena no estaleiro, garanto que ela está feliz assim, mas queremos Henin em forma.


Esses são os meus pedidos. Será que eu esqueci de algum?

 


 

Parabéns, Sérvia!

Sérvia 3×2 França, final da Copa Davis

O GRANDE HERÓI

Vida longa ao Quarteto Fantástico

O fim de semana passado foi corrido e eu não consegui fazer a prévia do ATP Finals. De qualquer forma, nada aconteceu além do esperado. Apesar da excelente campanha em Paris, o Soderling não tem um terço do brilhantismo do Murray. Portanto, temos mais uma temporada terminando com o Quarteto Fantástico no topo do tênis.

Teremos na decisão do ATP Finals um Federer x Nadal que fez muita falta durante o ano (tivemos apenas um meia-boca no primeiro semestre) e não há favorito. Por mais que o retrospecto do espanhol seja muito melhor no geral e Nadal tenha feito um 2010 melhor, Federer está firme como no meio de 2009. É justo que suas forças sejam medidas no momento final.

Como fã de tênis, tenho que reconhecer que estamos vivendo uma época de ouro. Federer, Nadal, Djokovic e Murray proporcionam espetáculos a todo momento, tanto no lado técnico quanto emocional. Não estou colocando os quatro no mesmo nível, acredito que Federer seja o melhor de todos os tempos, mas o suíço tem coadjuvantes de muito respeito.

Nadal e sua mistura aparentemente contraditória de muita raça com extrema frieza. Sim, o espanhol é MUITO FRIO. Não importa qual seja o placar, ele vira como se fosse a coisa mais fácil do mundo e ainda sai correndo como se nada tivesse acontecido depois. Consciente de suas falhas, tanto que melhorou muitas delas, Nadal é um monstro, um muro gigante que até o melhor da história tem dificuldade para escalar.

Djokovic não será número 1 do mundo, mas só pelo que ele fez naquela semifinal do US Open e na Copa Davis, merece todo o respeito. No dia 3, o sérvio joga a final da competição de países em casa, contra a França, e a nação está em suas costas. Curiosamente, parece que Djoker cresce exatamente nesses momentos. E o que dizer de seu espírito bem-humorado? Depois de um jogo reclamando de lentes de contato, ele aparece com um tapa-olho na próxima partida! Salve Nole e seu carisma que persiste, apesar das derrotas.

Sei que já fiz inúmeros posts sobre Andy Murray, mas nunca é demais falar desse BRILHANTE britânico, sempre inconsolável e incrédulo por sua falta de sorte. Se ele souber sobreviver psicologicamente a esses traumas, será um nome para a história, assim como Federer e Nadal. A garra e o talento que Murray mostrou hoje fizeram da partida de hoje a melhor do ano. Talvez não será a mais lembrada, já que Federer x Djokovic no US Open e Isner x Mahut em Wimbledon foram em Grand Slams. Mas, se vale alguma coisa, eternizo neste espaço.

VIDA LONGA AO QUARTETO!

Depois de Paris

Eu vi a grande maioria dos jogos do Masters 1000 de Paris e perdi a final. De qualquer forma, Robin Soderling ganhou com certa tranquilidade de Gael Monfils. Ou seja, deu a lógica (pelo menos na final), já que o sueco é muito mais maduro que o francês. Porém, o mais interessante do torneio não foi necessariamente a final.

Começamos com três pneus: o de Davydenko em cima do Bellucci, o do Davydenko em cima do Berdych e do Llodra em cima do Davydenko.

Para o brasileiro, um final de temporada que corresponde a tudo que ele fez nesse segundo semestre: quase nada. Bellucci parecia um maratonista cansado nos últimos torneios. Bom descanso para ele. Tenho boas perspectivas para o paulista para 2011, apesar de tudo isso. Afinal, ele continua sendo um grande jogador de saibro e perigoso quando está sacando bem.

Tomas Berdych é outro que caiu demais nesta metade do ano. O último grande momento do tcheco foi o vice em Wimbledon (apesar da surra que levou do Nadal na final) e ele também falhou ao não levar seu país à segunda final consecutiva da Copa Davis. De qualquer forma, conseguiu se classificar para o ATP Finals, mas deve ser um dos eliminados na fase de grupos.

(se bem que, já que eu falei isso, ele deve até ir bem)

Nikolay Davydenko está na fase final de sua carreira, com altos e baixos. Atualmente, mais baixos do que altos. O russo continua muito talentoso, mas não vejo mais lugar para ele no top 10. Assim como não vejo para Ferrer (o que ele está fazendo ali?). Os retornos de Jo-Wilfried Tsonga e Juan Martín Del Potro devem deixar as coisas em ordem novamente.

Eis que surge Michael Llodra. Um veterano duplista que conseguiu adaptar muito bem o seu jogo para as disputas de simples (assim como o Melzer). O jeito irreverente do canhoto sempre chamou atenção e desestabiliza o adversário. Quase funcionou com Soderling, no entanto, como eu disse, o sueco já tem uma boa maturidade.

Antes de falar em Soderling, vejamos o que Djokovic, Federer e Murray fizeram em Paris. Novak continua o mesmo de antes, muito bom, mas sem poder de decisão. Faz boas campanhas, mas raramente chega na final ou ganha o título. A cabeça dele não está em Londres, mas sim em Belgrado e na final da Davis. Llodra que se cuide, porque o sérvio vai querer vingança.

Murray continua errático, sem orientação, imprevisível. Não vou me surpreender se ele for eliminado na fase de grupos ou ganhe o título. Para um número 4 do mundo, é muito pouco. O britânico precisa de um treinador para ontem. Ele estava evoluindo bem com Miles McLagan e agora está estático.

Federer vinha jogando muito bem até entrar totalmente disperso em quadra contra o Monfils. Não é a primeira vez que vemos o suíço encarando uma partida com certo desleixo, mas concordo com Dácio Campos do Sportv, que percebeu um incômodo em Roger aparentemente pessoal. Não me lembro de ter visto a esposa de Federer na plateia, talvez tenha sido algo na família. De qualquer forma, a derrota foi apertada e o número 2 do mundo pode ganhar o ATP Finals de Nadal. Pelo ano que fez, o espanhol é o favorito.


E Robin Soderling. A primeira impressão que tive do sueco foi ruim. Não lembro onde era o jogo, nem o adversário. Só que ele ainda nem era top 20. Soderling provocou o oponente de todas as formas possíveis, tirou sarro, brigou com o juiz, não cumprimentou no final do jogo. Peguei birra dele, mas confesso que nunca mais vi comportamentos desse tipo. Pelo contrário, o sueco mostra muito mais poder de decisão do que Murray e Djokovic. Falta brilhantismo, por isso não o vejo ganhando um Grand Slam. Pelo menos, não por enquanto.

Na próxima semana: previsões do Masters de Londres.

The week

Após muitos posts falando de apenas um jogador, volto hoje a fazer comentários gerais sobre a semana. O circuito da WTA já teve o Masters, porém, outras tenistas que foram bem no ano jogaram em Bali. Na ATP, Valência e Basileia foram os palcos dos principais torneios da semana, além da final da Fed Cup, que ainda não foi definida. Vamos aos campeões, então?

Ivanovic, Bali
Depois de dois anos de absoluta decadência, a musa sérvia dá sinais de que pode voltar ao top 10 em 2011. Ivanovic chegou a ser 60ª do mundo e jogou muitos torneios através de convites (o que o carisma não faz…). Fez boas apresentações contra tenistas em melhor fase que ela e parece mais concentrada no seu jogo. Como sempre coloco Ivanovic e Sharapova no mesmo pacote, estou curiosa para saber qual das duas fará mais estrago na próxima temporada.

Federer, Basileia
Nosso querido Roger está conquistando os títulos que faltaram no primeiro semestre para manter a média anual. Vencer Djokovic foi importante (acho que vai ser ainda mais difícil para o sérvio batê-lo depois do US Open). A boa campanha de Federer nesse fim de ano só reforça a ideia de que ele vem jogando muito bem desde a temporada norte-americana. Como sempre, gostaria de ver um Federer x Nadal para ver como eles se comportariam. A única vez neste ano foi na temporada de saibro, onde o Nadal sempre foi superior. O duelo não será no Masters de Paris, já que o espanhol abandonou. Porém, espero que o número 1 vá a Londres.

Irmãos Bryan e Murray, Basileia e Valência
Assim como Federer, os irmãos Bryan são assustadoramente vencedores no maravilhoso mundo das duplas. Na verdade, mais, porque eles são os recordistas de conquistas (coisa que o suíço não deve alcançar). Na terra de Roger, os gêmeos que comemoram batendo o peito (e me assustam com isso) levaram o 66º (!!!!!!!!!!!!) caneco da parceria que começou dentro de uma barriga (ok, péssimo).

No entanto, a grande supresa foi a vitória dos irmãos Murray em Valência. Andy (o bom) e Jamie (o duplista, ou seja, o que não deu tão certo) pararam de jogar juntos quando o viciado em videogames virou sensação. Jamie se casou recentemente, com o irmão de padrinho, e a festa deve ter estreitado os laços entre eles. Mesmo com a derrota patética diante de Juan Monaco em simples, Andy não saiu de Valência com as mãos vazias.

Ferrer, Valência
David Ferrer já foi número 4 do mundo, mas isso não quer dizer muita coisa. Ele faz o tipo sei-que-sou-limitado-mas-supero-tudo-na-garra. De qualquer forma, ele conquistou um título importante e está quase garantido no ATP Finals (torneio que reúne os 8 melhores do ano). Nadal, Federer, Djokovic, Murray e Soderling já têm seus lugares garantidos. Com os resultados dessa semana, Ferrer, Roddick e Berdych já podem também reservar o hotel.

Na próxima semana: Masters de Paris e previsões para o gran finale em Londres. Deixo vocês com o vídeo da semana. O grande Pat Rafter imitando (no modo #fail) os truques do Federer. Saudade dele e dos malucos que jogavam há algum tempo. O povo de hoje é muito comportado…

Sou mais as loiras

Sempre fiz parte daqueles que deixam a WTA em segundo plano, isso é muito claro nos assuntos dos meus posts. Os jogos me entediam, os campeonatos idem, a qualidade das tenistas também. Mas nem sempre foi assim. Antes de Clijsters e Henin se aposentarem, eu era a presidente do fã-clube Bélgica. Principalmente contra as Williams.

Não, eu não acho que as Williams transformaram o tênis feminino em pura pancadaria. Sim, elas trouxeram um nível de força ao jogo nunca antes visto, mas as duas são extremamente técnicas. Qualquer uma gostaria de ter o saque delas, por exemplo. (inclusive alguns homens…)

O que me irrita um pouco nas Williams é o comportamento meio arrogante delas. Aham, eu não sei separar o pessoal do profissional, okay. Mas, para mim, isso é importante para ter minha torcida. O fascinante de seguir um atleta não é só admirar sua performance, mas se identificar com as emoções que ele sente em quadra. E eu nunca senti isso pelas Williams, tampouco por Maria Sharapova e Ana Ivanovic, duas das queridinhas dos últimos anos.

Sharapova e Ivanovic são belas tenistas (nos dois sentidos), mas claramente se deslumbraram com a popularidade e, quando acordaram, o trem já tinha passado. Voltar ao número 1 é quase impossível, ganhar outro Grand Slam então, nem se fala.

Escrevi tudo isso para chegar nas três personagens da WTA nessa semana. Kim Clijsters e Caroline Wozniacki, as melhores do ano, e Elena Dementieva, que anunciou sua aposentadoria aos 29 anos, ainda no top 10.


O jogo da Dementieva era feio, apesar de eficiente para uma péssima sacadora. Seu potente forehand era muito bonito de se ver, mas as suas constantes decepções em quadra e sua expressão desesperada para a mãe me fizeram torcer cada vez mais por ela. Vai entender. Talvez porque eu sou corintiana e gosto de sofrer.

Dementieva é uma campeã olímpica. Isso ninguém pode apagar e, na minha opinião, algo tão valioso quanto um Grand Slam. Apesar de ser considerada uma musa, sempre se manteve discreta e com classe. Nunca usou isso para aparecer mais do que as outras. A elegância de só contar que deixaria as quadras após o último jogo, evitando meses de homenagens e chororô, mostra o quanto Lena, no fim das contas, tem a cabeça no lugar muito mais do que parecia em quadra.

Porém, quando se trata de alguém que você só conhece pelas telas, é sempre bom ter um pé atrás. Até que Dementieva publica em seu site a carta da Bárbara, jornalista carioca do blog Fierce Tennis. Um gesto de campeã olímpica.

Vejo esse mesmo espírito em Kim Clijsters (que felizmente voltou) e Caroline Wozniacki. Com mais talento. No caso da belga, muito mais talento. Duas grandes competidoras, que não fazem pouco da WTA.

Eu não sou contra as tenistas se retirarem de alguns torneios, preservando seu físico. A própria Clijsters fez isso neste ano. Mas não entra na minha cabeça como a Serena sofre uma lesão que a deixa fora por seis meses e fica a cada torneio anunciando que vai jogar, para sair na última hora. Enfim, pode ser uma reação mais emocional do que racional, mas eu gostei do Masters sem elas, de ver Kim e Carol na decisão. Na WTA, eu sou mais as loiras.

 

 

Um brinde à harmonia da casa!

Eu não tenho falado sobre Thomaz Bellucci nos últimos posts porque estava esperando a sua temporada acabar (ainda faltam o challenger de São Paulo e o Masters 1000 de Paris). Mas, diante da entrevista polêmica que o tenista deu nessa semana e a resposta duríssima dos citados por ele, decidir adiantar um pouco as coisas. O texto continua sendo um panorama do 2010 de Bellucci, mas com uma conclusão diferente.

Resumo do bafão: numa coletiva nesta semana, Bellucci afirmou que os técnicos brasileiros não têm um bom nível, que tenistas top 30 são obrigados a buscar orientação no exterior e que os ex-jogadores deveriam fazer mais para desenvolver o esporte no país. Nomes como Carlos Alberto Kirmayr, Fernando Roese, Paulo Cleto e Fernando Meligeni reagiram com veemência, dizendo que o número 1 do Brasil deveria ser mais grato e reconhecer o que eles fazem pelo tênis nacional.

Há um ano, eu fui ao Clube Harmonia lá nos Jardins (lá porque eu moro muito longe dessa região) ver Thomaz Bellucci jogar. Era a final do challenger de São Paulo, o mesmo que ele disputará agora, contra o equatoriano Nicolas Lapentti. Tomei um sol desgraçado e fiquei com uma marca de sol no braço que durou QUATRO meses.

Decidi vê-lo pessoalmente, ao invés de na Sportv, porque tinha absoluta certeza de que Bellucci dificilmente voltaria a jogar em São Paulo. Ele venceu a partida jogando bem, “vingou” a derrota que sofreu para Lapentti na Copa Davis e terminou o ano como 36º do mundo. Quando saí do clube, dei uma última olhadinha para Bellucci, de despedida (sim, sou patética, ignore).

O primeiro semestre de 2010 provava que eu estava certa. Bellucci entrou no top 30, ganhou seu terceiro título de ATP da carreira em Santiago, fez campanhas muito boas nos Masters de Miami e Roma e no 500 de Barcelona. Então, superou todas as expectativas chegando às oitavas de final em Roland Garros e jogando bem contra Rafael Nadal. Antes havia passado pelos experientes e talentosos Ivan Ljubicic e Michel Llodra.

Em Wimbledon, parou na terceira rodada contra Soderling. Normal. E então veio o momento da queda. No ATP 500 de Hamburgo, os grandes favoritos caíram antes das quartas de final, e o único que parecia ser capaz de tirar o título do brasileiro era o baleado Juan Carlos Ferrero. Porém, Bellucci perdeu um jogo duríssimo contra Andreas Seppi e começou a má fase.

Em Gstaad (onde defendia título), Masters de Toronto e New Havem, Bellucci perdeu na estreia. No US Open, aquela partida dramática contra Kevin Anderson, que mobilizou até quem não acompanha tênis e terminou num melancólico tiebreak de quinto set. Daí… veio a Copa Davis, o desastre, o abandono.

Bellucci não se tornou um monstro por ter desistido daquela partida. Talvez tenha demonstrado que não pode ser ainda o cara com que o Brasil pode contar. Mas as duras críticas que ele recebeu, principalmente de Fernando Meligeni, claramente tiveram um impacto na cabeça de Bellucci. Foi ele que sentiu a “ingratidão” de ir até a Índia depois de meses jogando contra os melhores, nos torneios mais duros, lutar até quase desmaiar e ainda ter taxado de amarelão.

E como o canhoto sempre esteve longe e suas entrevistas geralmente são mediadas por sua assessoria, nunca se soube (até essa semana) o que realmente Bellucci pensava sobre sua temporada e sua queda de rendimento. Mas é claro que ele leu tudo, estava muito atento, mas quieto.

De volta à estaca zero do challenger de São Paulo, onde assisti ao seu jogo no ano passado, Bellucci demonstrou na coletiva, apesar de ter se expressado muito mal, que se sente totalmente sozinho. Os ex-jogadores não demonstram publicamente que o apoiam, tampouco os críticos.

Pois é. Agora que Bellucci não terá apoio MESMO, com exceção da empresa que o gerencia. Em 2011, cada deslize seu será ainda mais criticado. Não é fácil ser um top 30, ainda mais no Brasil. O tênis nacional é composto por uma comunidade pequena (em relação a outros esportes), mas cheia de rixas, mal-entendidos, inveja e rusgas. O episódio Bellucci é só mais uma demonstração de como as pessoas que comandam esse esporte por aqui estão desunidas. Acho que dessa vez não verei o Bellucci jogar lá no Harmonia. Aproveitando a ocasião, um brinde à harmonia da casa!